A pandemia e seus impactos na saúde mental (Recomendações gerais)
- Por Aline V. e Jobênia F.

- 14 de mai. de 2020
- 3 min de leitura
Entre 1/3 e metade da população pode vir a sofrer alguma manifestação psicopatológica.
Fatores que influenciam:
. Sensação de confiança na gestão e protocolos de biossegurança;
. Afastamento da rede socioafetiva;
. Necessidade de distanciamento;
. Impossibilidade de praticar ritos culturais coletivos, principalmente de passagens (festas de casamento, velórios e funerais...)
. Risco de ser infectado e infectar outros;
. Alteração dos fluxos de locomoção e deslocação social;
Mas, um ponto importante, é lembrar que não significa que todas essas pessoas ficarão traumatizadas; vivenciar um desastre de grande porte, ou uma pandemia nos moldes do covid-19 não significa necessariamente um transtorno, um stress pós-traumático. Significa que tem sim um potencial, mas segundo experiência empírica, acontece uma ressignificação nessa população, então é importante não diagnosticar ou não partir do princípio de que todos os que estão passando por esta situação estarão traumatizados.
Objetivos do cuidado à Saúde Mental e Atenção Psicossocial
Qual o objetivo do atendimento online nesse momento?
. Redução do estado de stress agudo > prevenção de transtornos psicopatológicos;
. Compreensão, elaboração de evento e dificuldades psicossocial;
Parte do trabalho tem sido auxiliar a população a compreender quais são as reações esperadas, ou, entre “as reações normais” para um evento que é considerado anormal como a pandemia da COVID-19.
As reações mais frequentes incluem
Medo de:
. Adoecer e morrer;
. Perder as pessoas que amamos;
. Perder os meios de subsistência ou não poder trabalhar durante o isolamento e ser demitido;
. Ser excluído socialmente por estar associado a doenças;
. Ser separados de entes queridos e de cuidadores devido ao regime de quarentena;
. Não receber suporte financeiro;
. Transmitir o vírus a outras pessoas;
É esperado também a sensação recorrente de:
. Impotência perante os acontecimentos;
. Irritabilidade;
. Angústia;
. Tristeza;
É importante lembrar que quando consegue-se antever esse processo, consegue-se acolher essas reações, tornando muito maior as chances de não desenvolver um stress pós-traumático ou adoecimento a curto, médio e longo prazo.
. Alterações ou distúrbios de apetite;
. Alterações ou distúrbios do sono;
. Conflitos interpessoais (com familiares, equipe de trabalho...)
Principalmente nesses primeiros 3 meses da fase de resposta a uma pandemia. A ideia é que possamos entender o que se passa, acolher essa dor e esse sofrimento, transformando-o em uma estrutura cognitiva de enfrentamento, e não de fulga ou adoecimento.
> Violência;
> Pensamentos recorrente:
· Sobre a saúde de nossa família;
· Mortes;
· Morrer;
· Pandemia;
São todas essas reações esperadas, e é importante orientar as pessoas que nós estamos cuidando, isso não significa que estão enlouquecendo e nem que esses pensamentos serão para sempre. Normalmente isso tem um tempo esperado de 3 meses iniciais a essa situação.
Estratégias de Cuidado Psíquico em situação de pandemia:
. Reconhecer e acolher seus receios e medos;
. Retomar estratégias e ferramentas de cuidado;
. Investir em exercícios e ações que auxiliem na redução do nível de stress agudo;
. Caso seja estigmatizado por medo de contágio, compreenda que não é pessoal;
Parte do trabalho profissional na Saúde Mental e Atenção Psicossocial é servir como uma ponte, do que nós sentimos agora, do que que a pessoas que nós cuidamos está sentindo agora, nesse momento, e tentar identificar, no passado, quando passou por algum evento extremo, ou algum evento que causou uma grande mobilização psíquica, uma grande mobilização dos sentimentos. Quais as estratégias utilizadas naquele momento e como pode adaptar-se as ferramentas para o atual momento em que está vivendo. Uma das estratégias é para que a pessoa comece a ter a sensação de retomada do controle da própria vida, de manejo do controle, dentro do que é possível.
As estratégias de cuidado psíquico em situações de pandemia, recomendam:
. Ações compartilhadas de cuidado, evocando a sensação de pertença social;
. Reenquadrar os planos e estratégias de vida, de forma a seguir produzindo planos de forma adaptada as condições associadas a pandemia;
. Evitar o uso do tabaco, álcool ou outras drogas;
. Buscar um profissional de saúde quando as estratégias utilizadas não estiverem sendo suficientes para sua estabilização emocional;
Critérios para determinar a necessidade de encaminhamento:
. Sintomas persistentes;
. Sofrimento intenso;
. Complicações associadas (por exemplo, conduta suicida, alcoolismo ou outras dependências);
. Comprometimento significativo do funcionamento social e cotidiano;
. Dificuldades profundas na vida familiar, social ou no trabalho;
Entre os efeitos tardios mais recorrentes estão:
. Luto patológico;
. Depressão;
. Transtorno de adaptação;
. Manifestação de stress pós-traumático;
. Abuso de álcool ou outras substâncias que causam dependência e transtornos psicossomáticos;
O significado desse efeito tardio é que no fim do primeiro trimestre até o final do ano, ou seja, mais uns seis meses, significa que esse já é um efeito tardio, mas é também um efeito esperado.
No que concerne o SMAPS na COVID-19, é essencial:
1. Ações de cuidado, que auxiliem a não cronificar as reações e sintomas considerados “normais” em situação “anormal”.
2. Compreender que os cuidados do SMAPS precisam ser compartilhados pelos diferentes campos do cuidado, como a medicina, enfermagem, serviço social, fisioterapia...)
3. Não medicalizar o cuidado;
4. Sentido de escuta responsável, cuidadosa e paciente.
Por Jobênia Farias.
Texto adaptado a partir da cartilha “Recomendações Gerais - Saúde Mental e Atenção Psicossocial na Pandemia COVID-19, com coordenação de Débora Noal, laçado recentemente, ainda em 2020.




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